O Parque Nacional e Monumento Natural Bosques Petrificados de Jaramillo, na Patagônia Argentina, é um valioso testemunho da história geológica e arqueológica da Patagônia. A presença do morro Madre e Hija (Mãe e Filha) destoa da imensa planície patagônica. Ali, podemos entender como se formou o deserto, o clima seco e a vegetação rasteira dos dias atuais. Mas nem sempre foi assim...


A origem da Patagônia e dos Bosques Petrificados

Bosque Petrificados de Jaramillo | Foto: @mnypn.bosquespetrificados

Os bosques petrificados contam uma história que data de 150 milhões de anos atrás, quando a cordilheira do Andes ainda não existia, e o continente americano estava junto à África (Gondwana). Por ali havia uma grande floresta de araucárias de até mil anos, de 35 a 65 metros de altura, pequenos rios, pinheiros, samambaias, palmeiras e grande mamíferos, que hoje estão extintos. O clima era quente e úmido, subtropical.

O choque das placas tectônicas dão origem a cordilheira dos Andes e acontece uma grande mudança climática. A cordilheira, de norte a sul, possui um cinturão de fogo, cujos vulcões entraram em atividade, gerando fortes ventos, derrubando a floresta e sepultando-a sobre suas cinzas e outros sedimentos.

As cinzas vulcânicas contêm um mineral chamado silício, e há 20 mil anos atrás, quando ali era mar, tudo estava coberto pela água, restando apenas o cume do morro Madre e Hija visível (ainda hoje podemos encontrar conchas e o relevo que evidenciam que ali era leito do mar).

Cerro Madre e Hija na Patagônia Argentina | Foto: @mapadomato.info

Com o término da formação da cordilheira dos Andes, a água escorre para onde estão os mares atualmente, dando origem ao clima semi-árido e semi-desértico da Patagônia.

As árvores sepultadas não podiam se decompor porque não havia oxigênio. Então as árvores começam a absorver essa água rica em silício, dando início ao processo de petrificação de dentro para fora. Uma vez petrificadas, elas foram emergindo a superfície com ajuda dos ventos (os famosos ventos patagônicos, que vão de 20 a 260 km por hora).

Você pode escutar a história completa, narrada pelo Guarda Parque Martin, nesse vídeo:
A formação da Patagônia contada pelo Guarda Parque Martin
Algo interessante de se destacar, é que todo o Bosque foi emergido naturalmente à superfície. Eles não fazem trabalho de escavação, e ainda hoje, é o vento que cobre e descobre toda a riqueza geológica do lugar.

Como visitar e o que fazer no Parque Nacional Bosques Petrificados de Jaramillo

Para chegar até o Centro de Visitantes e de Interpretação, é preciso percorrer 55 km de rípio, a partir da Ruta Nacional 3. Há várias placas indicando a direção. Na estrada é possível avistar muitos guanacos, e ainda várias formações rochosas que nos remetem à uma paisagem primitiva.

Museu: No Centro de Visitantes há um museu, com várias informações visuais contando a história da Patagônia e dos Bosques. Há também um inventário fotográfico de toda flora e várias peças arqueológicas dos habitantes originários da Patagônia.

Pontas de flechas dos povos originários | Foto: @xtnautas

Trilhas: O circuito é auto guiado. Existem duas opções, um trajeto curto de 15 minutos e outro de 1h. Em todo o trajeto, há placas explicativas e identificação da flora. Todos podem fazer. Se indica o uso de calçados de caminhada, água e chapéu. Não é permitido levar animais domésticos na trilha.

Lembre-se: é proibido alimentar animais e deixar lixo pelo caminho

Horário de Funcionamento: De outubro a março, das 9h às 19h.  De abril a setembro, das 10h às 17h.

Quanto custa: Gratuito

Como chegar: Da RN3 segue pela RP49, por estrada de rípio https://goo.gl/maps/geQgrEphWhrvhbSN9

Contato: mnbp-apn@hotmail.com | @mnypn.bosquespetrificados

Você sabia que dá para ser voluntário social no Parque? Siga o perfil pelo Instagram e acompanhe o período de inscrições: @mnypn.bosquespetrificados

Nossa experiência

O Parque Nacional Bosques Petrificados de Jaramillo pode decepcionar aos desavisados, percorrer um longo trajeto e não avistar nada monumental, de tirar o fôlego, pode ser frustrante. No entanto, é justamente no silêncio das pedras, da imensa planície, que se esconde a beleza da Patagônia extra-andina.

Ali experimentamos a força do reino mineral. O sol quente, o vento forte, a vegetação rasteira, nos fez vivenciar a Patagônia de um jeito único. Conhecer a história da formação da Patagônia, foi marcante e respondeu à pergunta: como pode um deserto desse tamanho no meio da Argentina? Os Bosques Petrificados de Jaramillo nos fez entender que tudo se transforma e que o mundo já viveu muitas aventuras!

Podemos dizer: um dos lugares impressionantes que conhecemos na Patagônia. Se puder, visite!


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