Saímos de Tesouro e Batovi com a impressão que o tempo que passamos por lá foi suficiente para o que havíamos nos proposto a fazer. Também constatamos que não adianta planejar "tudo" antecipadamente. Por exemplo: compramos coisas antes da viagem que não foram exatamente práticas - como nossas canecas personalizadas, difíceis de serem usadas quando dirigindo - ou realmente necessárias - como o tanto de roupa que estávamos levando. Como nosso próximo destino era Nova Xavantina, poderíamos aproveitar a situação e praticarmos um pouco de desapego.

Além disso, outra complicação recém descoberta: é muito difícil editar e produzir os vídeos na estrada. Com isso, geramos muito material e tivemos problemas de armazenamento, tempo e acesso à internet para uploads longos.

Para alcançarmos o próximo destino, ao invés de seguirmos via rodovia asfaltada, em direção à Barra do Garças, optamos ir por cima da serra, passando por Paredão e Novo São Joaquim, para chegarmos diretamente à Xavantina.

Foi uma boa escolha e, apesar de alguns trechos da estrada realmente estarem ruins, a maior parte era de regular a bom. Além disso, na medida que subíamos a serra, belas paisagens da Serra do Roncador e do Paralelo 14 iam se apresentando.

Alegria também em saber, que os próximos 100 km entre Novo São Joaquim e Nova Xavantina, seriam de asfalto ✌️

Chegamos em Nova Xavantina próximo do anoitecer, e tínhamos como contato o Lemuel, que a Tiemi conhecia online, por conta do planejamento da viagem e nossa ida para NX. Pegamos a localização do camping onde ficaríamos - um sítio, na verdade - e nos encontraríamos por lá.

Chegamos na Morada Ecológica Olho D'água primeiro que o Lemuel, e fomos recepcionados pela Serena, filha do Júlio Sal da Terra, nosso anfitrião. Na sequência, também fomos recebidos pelo Montanha, o grande labrador negro que mais tarde viria a ser o novo irmão da Leoa.

O Júlio é uma figura. Mineiro que pegou estrada da vida cedo, acabou indo parar em Nova Xavantina ainda no começo dos anos 2000, com a família recém-formada e sua Belina 1981. Começaram a construir e a levar a vida alternativa no sítio, local inclusive a Serena nasceu :D

Bom de conversa e praticante da 'arte do bem-viver', conhece muito sobre a Serra do Roncador e de práticas de bioconstrução e técnicas de recuperação de matas e águas, algo posto em prática na Morada desde que lá chegou.

Quatro hectares reflorestados ao longo de 20 anos, utilizando técnicas de agroflorestação - baseada na produção de um sistema similar a de uma floresta, onde as plantas ajudam na formação de um ecossistema biodiverso, ideal para recuperação e cultivo de qualquer tipo de solo.

Um olho d'água revitalizado. O único corredor de matas na região, para a fauna poder fluir de um lado para outro. Foi graças a esse esforço, que pudemos vivenciar experiências como essas:


E qual foi a surpresa em avistar um Gurgel Carajás chegando! Falamos mais sobre ele no youtube:



Um carro único, com interior gigante e muita versatilidade. Vindo nele, Lemuel, um cara sorridente de boné, sua companheira e as crianças. Sempre conversador - principalmente se o assunto passa pelas belezas e mistérios do Roncador - e de ótima vibe, não foi difícil ficar amigo dele; bem como do Enzo, um menino de 12 anos inteligente e alto astral.

Outro amigo que fizemos e que sempre está na Morada é o Wallif, turismólogo. passarinheiro e condutor de turismo. Ótima vibe, suqueiro de primeira e de coração gigante. Nos acompanhou em vários passeios e ainda vai voar alto nesse mundo do birdwatching.

Como passamos mais de um mês em Xavantina, faremos mais de um post sobre o que vivemos lá. Até mais 🖖