Estamos há mais de 7 meses na estrada, rondando em média, 300 km por dia, com a nossa Nissan XTerra. Fora cinco meses percorrendo o Brasil, transitando por muita estrada de terra e mais de 40 dias na Argentina, enfrentando as famosas estradas de rípio, e ela continua valente, firme e forte.


Toda vez que precisamos parar para resolver algo, um vazamento, um problema, agradecemos por optarmos por uma XTerra mecânica, sem frescura, como disse um XTerráqueo. E hoje, vamos contar aqui, quais os problemas que tivemos no caminho e tudo aquilo que refletimos ser uma escolha acertada.

A revisão da Xterra para viagens longas

A revisão do carro é um dos primeiros itens a ser considerado num planejamento de viagem, é uma questão de segurança. Transitar por lugares distantes e de difícil acesso é lindo, mas exige um pouco de atenção e mais prudência no cuidado com a viatura.

Nós fizemos a revisão completa antes de sair, com um mecânico de confiança, que trabalhou por muito anos na Nissan e hoje tem sua própria oficina em Cuiabá. Também instalamos o Madman, um conjunto de sensores que ajudam a monitorar a temperatura e pressão do motor, óleo, bateria, turbina e nível do líquido de arrefecimento.

Apesar de caro, vale a pena a aquisição do sensor, foi ele que nos avisou sobre um problema no radiador, que falamos mais adiante.

Além do Madman, trocamos também o filtro de ar, por um K&N, como transitamos por muita estrada de chão e poeira, precisávamos de algo, mais durável e de automanutenção, dependendo menos de peças de reposição. Esse filtro utiliza um óleo para bloquear a entrada da poeira.

Idem foi o Filtro Purifilt...Não que seja totalmente necessário, mas possui maior autonomia se comparado com o filtro de combustível tradicional, e possui uma tecnologia que realmente impede que a água contamine o sistema.

Instalamos também uma pêra, aquela bombinha comum em motores de popa, para encher o filtro de combustível naquelas situações onde entra ar na linha de combustível. Funciona do mesmo modo que as bombas manuais que já vem instaladas em alguns veículos.

Antes disso, já havíamos reparado a caixa-seca que havia uma trinca e feito a troca do atuador de embreagem. Posteriormente, para maior segurança, trocamos todo o conjunto da embreagem, inclusive o voltante bimassa, que ainda era original (e funcionava bem, mesmo com mais de 270.000 km). Trocamos os bicos injetores e fizemos a manutenção de rotina da bomba injetora.

Os problemas na estrada com a XTerra, até agora!

Como sempre, algumas coisas ficam para trás, esquecemos, ou colocamos numa caixinha de "a resolver" e não resolvemos, porque ainda está bom. Um dos primeiros problemas que tivemos, estávamos em Tesouro - MT, ainda próximos de casa. Depois de vários dias de passeios entre serras, numa cidade de sobe e desce, a nossa bateria pifou.

Para resolver, compramos uma bateria de 70Ah e de marca duvidosa, na loja de motos na pequena cidade de 3 mil habitantes, pois era 'que tinha para o jantar'... Resolvida a bateria, o carro começou a fazer um barulho estranho, já no dia seguinte. Procuramos um mecânico, que nos disse ser um problema na cruzeta e não resolvia ali. E fomos nós para Rondonópolis, a 300 km de distância, numa especializada 4x4, para trocar a cruzeta. Até então, não havia feito o engraxamento regular e, com isso, aprendemos nossa lição.

Depois disso, viajamos mais 5 mil km, percorrendo o interior de Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul. E foi ali, no dia da partida do camping Ravenala, que ligamos o carro e o Madman começou a piscar, nos dando um susto, e indicando que algo de errado estava acontecendo. Desligamos o carro, pois o alarme era do nível do líquido de arrefecimento. Eis que o problema era o radiador que furou pela trepidação causada pela rachadura da travessa que segura o radiador - um problema crônico nas XTerrras brasileiras, que adotaram o motor diesel, ao invés do original americano à gasolina. A vibração extra desse motor, e o fato da Nissan não ter utilizado um aço mais forte ou espesso, culminou com esse problema que todo dono de XTerra já teve ou em breve terá... Então, se for dono de uma, resolva as travessas antes que causem um problema maior.

Rodamos mais 3 mil km, percorrendo o litoral norte do Estado de São Paulo e várias cidades do interior, eis que o pneu furou, numa dessas estradas não convencionais, de terra, em Salesópolis, próxima à famosa Estrada da Petrobrás. Trocamos o pneu e na troca do pneu, pelo estepe, o André notou um desgaste na parte interna, não muito visível. Mas já era tarde...

Nosso pneu poderia ter mais uns 10mil km de vida útil, no entanto, levando para a revisão o diagnóstico foi certeiro: nos descuidamos do embuchamento (simples, poderíamos ter parado um dia e trocado tudo)! O desgaste das buchas gerou problema no alinhamento e balanceamento, que gerou o desgaste dos pneus, que causou um problema no disco de freio e assim, uma sucessão de problemas.

Eis que trocamos os pneus em São Paulo, fizemos o alinhamento e balanceamento, mas por uma questão de escolha, resolvemos trocar o embuchamento na Mamute 4x4 em Pinhais, no Paraná. Já que estávamos próximos, aproveitamos para fazer uma revisão com quem entende do assunto. Além do embuchamento, eles encontraram um problema no cardã da tração, com folga excessiva.

O que aprendemos: Ficar de olho nessas buchas...heheheh
O bom de termos passado alguns dias em Pinhais, foi conhecer o Yguaçu e a Silvia, o Brics, o Mauro e a Rô. Viajantes por natureza, podemos afirmar que são alguns dos pioneiros do overlanding no Brasil, que já fizeram coisas imagináveis. Costumo dizer que foi ali, que nossa viagem realmente começou. Mas eu conto essas histórias em outro post.

E continuamos a viagem, percorremos o Paraná, Santa Catarina e um pedaço do Rio Grande do Sul, para entrar na Argentina. E na Argentina ela nos deu um susto. Do nada, depois de um abastecimento, ela desligou... Nada de funcionar... Esperamos um pouco e ela voltou a funcionar como por milagre... Consultamos um e outro possível problema, limpamos o filtro de ar e de combustível, e ao que parecia, estava tudo ok.

A caminho do Ushuaia, uma nova surpresa, bem na fronteira... um vazamento, ao que parecia na caixa de transferência. Já no Ushuaia, fomos atrás de um mecânico, e como foi difícil encontrar um. Por indicação de um mecânico de pequenos reparos, fomos parar na oficina do Marcelo, um mecânico atencioso, que logo descobriu que o vazamento era devido ao retentor da alavanca de câmbio. Feito o serviço e agora sem vazamentos. Seguimos.

Para a nossa surpresa, quando estávamos numa estrada secundária de rípio, próximos do Lago Vinnter, um pouco depois de Río Pico, a viatura, de novo, parou de funcionar. Do nada, simplesmente desligou e nada fazia ela ligar. Fomos socorridos pelo Fernando, um argentino que passou 5 meses rodando o Brasil e por incrível que pareça, conheceu, Cuiabá, Chapada dos Guimarães e até o carnaval de Poconé. Tentativas de fazer o carro funcionar, e nada... Ao que parecia, havia algo na linha de combustível. No entanto, ela não voltou a funcionar e fomos rebocados pelo Fernando até o Sr. Nelson, o MacGyver das caminhonetes em Río Pico.

A verdade, é que descobrir o problema foi mais difícil do que resolver. Trocou uma mangueira que parecia rachada e nada... até que o Sr. Nelson checou o conector elétrico da bomba injetora e esse estava frouxo. Só foi apertar e ela voltou a funcionar. Tudo muito simples de resolver e novamente, agradecemos ao cosmo por estarmos seguros.

A viagem continua, e, aos poucos, vamos escrevendo novos artigos, numa espécie de diário da viatura :)

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